Tal como ocorre às divindades, que só são encontradas nas igrejas,
também as sociedades só são normalmente percebidas quando
surgem nas suas vozes mais “cultas”. Para os tradicionalistas, aqueles
que têm olhos e não vêem, os deuses se acham nos sacrários, nas
capelas e nos livros sagrados de reza e devoção. Para os observadores menos imaginativos e sensíveis, uma sociedade está nas suas ciências, letras e artes. A visão oficial contradiz a voz, a visão do povo e, ainda, a experiência da condição humana que, generosamente, enxerga Deus em toda parte: no rito pomposo e
solene da catedral e na visão tresloucada do místico, nu e faminto em
sua cela de preocupações com o destino dos homens e
sobrecarregado pelo peso fantástico dos múltiplos sentidos desta
vida.


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