“A ausência de espírito e o fastio dos textos elaborados por cabeças comuns derivam do fato de que elas falam sempre com meia consciência; (...) juntam mais frases inteiras (phrases banales) do que palavras. Pessoas inteligentes falam, em seus escritos, realmente a nós e, portanto, são capazes de nos animar e entreter: somente elas elaboram cada palavra com plena consciência, com escolha e propósito.”
"Shopenhauer sobre o ofício do escritor"
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
“Não lhe sei explicar. Das criaturas de quem gosto muito, nunca digo o nome a outras pessoas. Seria o mesmo que me privar de uma parte delas. Criei-me adorando o segredo. A meu ver só ele é capaz de nos tornar misteriosa ou maravilhosa a vida dos nossos dias. A coisa mais comum, se ocultarmos, é um deleite. Quando saio da cidade, nunca digo aos meus onde vou. Se dissesse, estragaria todo o meu prazer.”
Trecho de "O Retrato de Dorian Gray"
Trecho de "O Retrato de Dorian Gray"
domingo, 29 de janeiro de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
"Porque vivemos num mundo em que as pessoas não têm tempo para elaborar o que é do humano. Muitas vezes eu me deparo com essa situação no consultório. Vejo uma pessoa ali me pedindo antidepressivo porque não consegue mais trabalhar, não consegue mais tocar a vida. Eu sei que ela não consegue mais trabalhar nem tocar a vida porque é a sua vida que se tornou impossível, porque precisa de um tempo que não tem para elaborar o vivido. É óbvio que não é possível, por exemplo, elaborar um luto ou uma separação em uma semana e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Assim como não é possível viver sem dúvidas, sem tristezas, sem frustrações. Tudo isso é matéria do humano, mas o ritmo da nossa vida eliminou os tempos de elaboração. Essa pessoa não é doente – é a vida dela que está doente por não existir espaço para vivenciar e elaborar o que é do humano. Só que esse cara precisa trabalhar no dia seguinte e produzir bem ou vai perder o emprego. Então eu dou o antidepressivo e faço um acompanhamento sério, com psicoterapia, para que esse cara possa dar um jeito na vida e parar de tomar remédios. É um dilema e não tem sido fácil lidar com ele, mas é neste mundo que eu exerço a profissão de psiquiatra. Porque no tratamento da depressão, de verdade, a doença, de fato, é muito difícil obter resultados, mesmo com os medicamentos atuais. Assim como outras doenças psíquicas, quando são doenças mesmo. Os resultados são muito mais lentos – e às vezes não há resultado nenhum. A maioria das pessoas que estamos medicando hoje não é doente. E por isso o resultado é rápido e parece altamente satisfatório. Estas pessoas só precisam dar conta de uma vida que um humano não pode dar conta."
depoimento de um psiquiatra à eliane brum
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
"Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros - no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita."
Do sensacional texto "A liberdade de ver os outros", de David Foster Wallace
Do sensacional texto "A liberdade de ver os outros", de David Foster Wallace
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
"Não sei sentir,não sei ser humano,
não sei conviver de dentro da alma triste,com os homens,meus irmãos na terra.
Não sei ser útil,mesmo sentindo ser prático,quotidiano,nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou nada sobrou ou foi pouco,não sei qual,e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções,todos os pensamentos,todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda a gente.
Mas para toda agente isso foi normal e institivo.
Para mim sempre foi a excepção,o choque,a válvula,o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for a vida,de tão interessante que é a todos os momentos,
a vida chega a doer,a enjoar,a cortar,a roçar,a ranger,
a dar vontade de dar pulos,de ficar no chão,
de sair para fora de todas as casas,
de todas as lógicas,de todas as sacadas,
e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos."
Álvaro de Campos
não sei conviver de dentro da alma triste,com os homens,meus irmãos na terra.
Não sei ser útil,mesmo sentindo ser prático,quotidiano,nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou nada sobrou ou foi pouco,não sei qual,e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções,todos os pensamentos,todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda a gente.
Mas para toda agente isso foi normal e institivo.
Para mim sempre foi a excepção,o choque,a válvula,o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for a vida,de tão interessante que é a todos os momentos,
a vida chega a doer,a enjoar,a cortar,a roçar,a ranger,
a dar vontade de dar pulos,de ficar no chão,
de sair para fora de todas as casas,
de todas as lógicas,de todas as sacadas,
e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos."
Álvaro de Campos
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Retrato em Branco e Preto
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cór
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cór
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
domingo, 22 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
Me deito só, com vista para o mundo
Calando fundo meus sonhos, minhas queixas,
Mas alço vôo em busca de teus passos
Piso descalço na terra do teu corpo
Suave passo, suave gosto, cheiro de mato
Meu braço lasso, eu lanço em segredo.
Calando fundo meus sonhos, minhas queixas,
Mas alço vôo em busca de teus passos
Piso descalço na terra do teu corpo
Suave passo, suave gosto, cheiro de mato
Meu braço lasso, eu lanço em segredo.
Vem ser meu canto, meu verso, meu soneto
Vem ser poema no árido deserto
Serei oásis, silêncio, festejo
Serei sertão nas horas de aconchego...
Vem ser poema no árido deserto
Serei oásis, silêncio, festejo
Serei sertão nas horas de aconchego...
Da música "Noite de estrelas", por Maria Bethânia
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
DECEMBER AT YASE
Gary Snyder
você disse, naquele outubro
junto à grama alta e seca do pomar
quando escolheu ser livre,
“um dia de novo, talvez em dez anos”
junto à grama alta e seca do pomar
quando escolheu ser livre,
“um dia de novo, talvez em dez anos”
depois da faculdade te vi
uma vez. você estava estranha
e eu obcecado com um projeto
uma vez. você estava estranha
e eu obcecado com um projeto
agora, mais de 10 anos
se passaram: eu sempre soube
onde você estava –
devia ter ido até você
com a esperança de ter seu amor de volta
você ainda está só
se passaram: eu sempre soube
onde você estava –
devia ter ido até você
com a esperança de ter seu amor de volta
você ainda está só
mas eu não fui
pensei que pudesse fazer tudo sozinho.
e assim o fiz
só em sonho, como neste amanhecer
é que a grave e assustadora intensidade
do nosso jovem amor
retorna à minha cabeça, à minha carne
pensei que pudesse fazer tudo sozinho.
e assim o fiz
só em sonho, como neste amanhecer
é que a grave e assustadora intensidade
do nosso jovem amor
retorna à minha cabeça, à minha carne
tivemos tudo aquilo
que os outros buscam desesperadamente
abandonamos tudo aos dezenove
que os outros buscam desesperadamente
abandonamos tudo aos dezenove
me sinto velho, como se eu
tivesse vivido muitas vidas.
e talvez nunca mais saiba agora
se eu sou um tolo
ou se fiz aquilo
que meu karma determina
tivesse vivido muitas vidas.
e talvez nunca mais saiba agora
se eu sou um tolo
ou se fiz aquilo
que meu karma determina
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Em nenhuma outra área a ânsia por um destino é tão forte como na nossa vida amorosa. sendo nós, tantas vezes, obrigados a partilhar a cama com quem não compreende a nossa alma, não será perdoável o fato de acreditarmos (contrariando todas as regras da nossa época iluminada) que havemos de encontrar, um dia, o homem ou a mulher dos nossos sonhos? não poderá nos ser permitido um certo grau de supersticiosa fé numa criatura que trará a solução dos nossos inexoráveis anseios? e embora as nossas preces possam nunca ser respondidas, embora talvez haja fim para o funesto ciclo da incompreensão mútua, se porventura os céus decidirem ter piedade de nós, será realmente legítimo pedir que atribuamos esse encontro ao mero acaso? não teremos direito a, por uma vez, voltar as costas à censura racional e considerar tal acontecimento parte inevitável do nosso destino romântico?
Do início de "Ensaios do amor"
Do início de "Ensaios do amor"
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