"Do lado de fora, ela achou que deveria haver uma
palavra para aquilo: uma temperatura do ar perfeita, nem quente nem fria. Um grau a
menos e ela talvez sentisse um leve receio por não ter levado uma jaqueta. Um
grau a mais e talvez uma película de suor brilhasse junto à linha do cabelo. Mas,
naquela medida exata, Irina não precisava de agasalho nem de brisa. Se houvesse
uma palavra para essa temperatura, teria que haver um corolário para o êxtase
particular de saudá-la — a despreocupação, a ausência de necessidade, a suspensão
da urgência, como se o tempo pudesse ou devesse parar. Em geral, a temperatura
era uma batalha; somente nesse fulcro exato ela era um efetivo deleite."
p. 42 de "O mundo pós-aniversário", de Lionel Shriver