quarta-feira, 30 de maio de 2012

“A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, de verdade”. 


Guimarães Rosa in: "A terceira margem do rio"

quinta-feira, 24 de maio de 2012

“Abaixo a contemplação! Abaixo os versos de amor que não sirvam para que a mulher amada ceda enfim!"




Mário de Andrade

segunda-feira, 14 de maio de 2012

NÃO SE MATE


               Drummond

Carlos, sossegue, o amor 
é isso que você está vendo: 
hoje beija, amanhã não beija, 
depois de amanhã é domingo 
e segunda-feira ninguém sabe 
o que será. 

Inútil você resistir 
ou mesmo suicidar-se. 
Não se mate, oh não se mate, 
reserve-se todo para 
as bodas que ninguém sabe
quando virão, 
se é que virão 


O amor, Carlos, você telúrico, 
a noite passou em você, 
e os recalques se sublimando, 
lá dentro um barulho inefável, 
rezas, 
vitrolas, 
santos que se persignam, 
anúncios do melhor sabão, 
barulho que ninguém sabe 
de quê, praquê. 

Entretanto você caminha 
melancólico e vertical. 
Você é a palmeira, você é o grito 
que ninguém ouviu no teatro 
e as luzes todas se apagam. 
O amor, no escuro, não, no claro, 
é sempre triste, meu filho, Carlos, 
mas não diga nada a ninguém, 
ninguém sabe nem saberá.