sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Demolidor




O amor não é um arquiteto.
Igual às térmites, destrói
a mais sólida construção
das paredes até o teto.



Dando razão à sem-razão,
o amor não respeita o intelecto.
Igual a um rato, surge e rói
o pão abstrato e o sol concreto.



O amor? Dois e dois não são quatro.
Caminho certo em concha errada,
coisa torta no chão reto,



Amor! Colinas sucessivas,
obelisco, língua que lambe,

 pergunta feita ao Paracleto!



Lêdo Ivo 

terça-feira, 26 de abril de 2011

Portanto, é possível distribuir minha solidão, torná-la meio de conhecimento.
Portanto, solidão é palavra de amor.
Não é mais um crime, um vício, o desencanto das coisas.
Ela fixa no tempo a memória
ou o pressentimento ou a ânsia
de outros homens que a pé, a cavalo, de avião ou barco,
percorrem teus caminhos, América.
Estes homens estão silenciosos mas sorriem de tanto sofrimento dominado.
Sou apenas o sorriso
na face de um homem calado



Drummond