O amor não é um arquiteto.
Igual às térmites, destrói
a mais sólida construção
das paredes até o teto.
Dando razão à sem-razão,
o amor não respeita o intelecto.
Igual a um rato, surge e rói
o pão abstrato e o sol concreto.
O amor? Dois e dois não são quatro.
Caminho certo em concha errada,
coisa torta no chão reto,
Amor! Colinas sucessivas,
obelisco, língua que lambe,
pergunta feita ao Paracleto!
Lêdo Ivo

