domingo, 3 de junho de 2012


 "Do lado de fora, ela achou que deveria haver uma palavra para aquilo: uma temperatura do ar perfeita, nem quente nem fria. Um grau a menos e ela talvez sentisse um leve receio por não ter levado uma jaqueta. Um grau a mais e talvez uma película de suor brilhasse junto à linha do cabelo. Mas, naquela medida exata, Irina não precisava de agasalho nem de brisa. Se houvesse uma palavra para essa temperatura, teria que haver um corolário para o êxtase particular de saudá-la — a despreocupação, a ausência de necessidade, a suspensão da urgência, como se o tempo pudesse ou devesse parar. Em geral, a temperatura era uma batalha; somente nesse fulcro exato ela era um efetivo deleite."

p. 42 de "O mundo pós-aniversário", de Lionel Shriver

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