Em nenhuma outra área a ânsia por um destino é tão forte como na nossa vida amorosa. sendo nós, tantas vezes, obrigados a partilhar a cama com quem não compreende a nossa alma, não será perdoável o fato de acreditarmos (contrariando todas as regras da nossa época iluminada) que havemos de encontrar, um dia, o homem ou a mulher dos nossos sonhos? não poderá nos ser permitido um certo grau de supersticiosa fé numa criatura que trará a solução dos nossos inexoráveis anseios? e embora as nossas preces possam nunca ser respondidas, embora talvez haja fim para o funesto ciclo da incompreensão mútua, se porventura os céus decidirem ter piedade de nós, será realmente legítimo pedir que atribuamos esse encontro ao mero acaso? não teremos direito a, por uma vez, voltar as costas à censura racional e considerar tal acontecimento parte inevitável do nosso destino romântico?
Do início de "Ensaios do amor"
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
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